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por Laís Prado

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Fake News: o que é mentira e o que é bullshit

19
junho
2017



David Remnick, editor da revista The New Yorker, fez uma palestra sobre fake news e conclamou as pessoas a fazerem sua parte para impedir a disseminação de notícias falsas nas redes sociais. No entanto, há poucas ilusões de que a missão será fácil. “Dizer que as notícias falsas (fake news) vão acabar um dia, seria, por si só, uma notícia falsa. Mas temos que tentar diminui-las”, afirmou o jornalista.

Remnick não trouxe soluções ou deu exemplos de coisas que estão sendo feitas. Não há uma solução próxima que não seja o empenho de cada pessoa em interromper a circulação de farsas. Ou das redes sociais de tentarem deixar mais claro o que é falso e o que é verdadeiro.

As teorias da conspiração sempre existiram e sempre estarão nos acompanhando. Mas Remnick faz uma interessante divisão entre “mentira” e o que ele nomeia “bullshit”. No primeiro caso, são pessoas que sabem a verdade não deixando as outras pessoas saberem. No caso de “bullshit”, são pessoas que não se preocupam com a distinção entre verdade e mentira. E isso é mais grave.

Quem representa melhor o “bullshit”, a pós-verdade? Sim, Donald Trump. “O abuso da verdade que ele comete é algo grave, uma emergência”, diz Remnick, crítico feroz do atual presidente dos Estados Unidos, que mencionou dados errados divulgados sobre as mudanças climáticas – recentemente, Trump retirou seu país do Acordo de Paris.

Ele mencionou um dado da Politifact que diz que apenas 4% do que Trump falou durante as eleições de 2016 era verdadeiro. O Iluminismo elevou a força da verdade, razão, fatos, ciências. E o “bullshit” representa uma volta às trevas, completa o editor da The New Yorker.

Crise da mídia

Vivemos o perigo de criarmos um novo sistema de mídia, em que tudo é verdade e nada é verdade, dependendo do lado em que você está. Ainda mais em um cenário em que a capacidade de se disseminar teorias está acelerando por causa das redes sociais.

Nesse ecossistema, o dinheiro deixou grandes jornais e migrou para Facebook, Google e outros players digitais. “Muitos jornais desapareceram ou foram vendidos. Mas quando um jornal de uma cidade média dos Estados Unidos desaparece, quem vai investigar o prefeito corrupto?”, indagou o jornalista, que enxerga um paralelo entre o enfraquecimento da mídia e o crescimento de Trump.

Algumas críticas respingaram no Facebook. Para Remnick, a rede social deve diminuir a presença de fake News nos feeds, e ajudar as pessoas a entenderem o que é boa informação e o que não é. “Não é um algoritmo que vai erradicar fake news desse mundo e sim publishers”, analisou. “O fato é o que importa”, finalizou, sem esconder um tom de preocupação sobre uma questão para a qual ainda não se tem uma resposta.