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por Laís Prado

Festivais

Festival do Clube 2018

Diálogo com o incomparável Cildo Meirelles (aqui e no sábado 22)

20
setembro
2018



Uma conversa com Cildo Meireles não é comum, embora comuns os assuntos possam ser. Nascido no Rio de Janeiro, em fevereiro de 1948, ele é um dos nomes mais referendados das artes brasileiras da atualidade. Esse status pode conferir um caráter cerimonioso a uma primeira conversa com o artista plástico. Mas ele trata de colocar o diálogo nos eixos, como se comprova no primeiro minuto de entrevista que o Clubeonline fez com Cildo sobre seu painel no Festival do Clube 2018, uma entrevista que será feita por Juliana Monachesi, crítica de arte e curadora da Galeria Luisa Strina, e Felipe Cama, artista plástico e diretor executivo de criação da Sentimental Filmes, no sábado 22, na Cinemateca.

– O senhor é de Brasília? Desculpe, mas acho que misturei os dados de sua biografia...

– Gostaria de ser. Porque, se assim fosse, eu seria dez anos mais novo – diz em tom levemente sério que logo se revela uma brincadeira. – Cheguei com dez anos lá e minha adolescência foi toda em Brasília.

Cildo Meireles tem em sua história feitos como a Documenta de Kassel de 1992 e uma retrospectiva na Tate Modern de Londres, em 2008 – está lá, por sinal, uma instalação (Babel) em caráter permanente –, além de várias Bienais de São Paulo e de Veneza. Não é um artista para se definir com rótulos. Cildo trabalha de muitas formas: pintura, intervenções públicas, arte conceitual, escultura. Por isso, não é “rotulável”, como afirmam alguns críticos.

Já o classificaram como artista conceitual, mas ele rechaçou a definição. O que tem se dito a respeito de Cildo é que ele é um artista experimental e que tem como uma de suas marcas instalações de grandes dimensões, como as expostas em Inhotim (onde tem quatro obras: Através, Desvio para o Vermelho, Glove Trotter e Inmensa). No site do instituto mineiro, o trabalho de Cildo é apontado como “pioneiro no campo da arte da instalação”, primando pela “diversidade de suportes, técnicas e materiais”.

O painel em que a obra dele será discutida se chama “Diálogos, técnicas, suportes, cores e instalações de Cildo Meireles”. O bate-papo acontece entre 15h20 e 16h30, no sábado 22 (vale reforçar). Cildo falará sobre o processo criativo de alguns de seus trabalhos – entre eles, pode estar a Árvore do Dinheiro e Eureka/ Blindhotland. Na entrevista abaixo, ele conta um pouco de suas expectativas para o Festival do Clube. Este diálogo é só uma pitada do que vem por aí. Não perca o painel!

 

CLUBEONLINEQue avaliação faz das artes brasileiras hoje? Temos mais oportunidades de lançar talentos? Como tem visto a apreciação das artes pelos brasileiros?

CILDO MEIRELES – Há 30 ou 40 anos, praticamente não havia bibliografia das artes plásticas brasileiras. Hoje temos. E é comum encontrarmos esses trabalhos. As coisas mudaram bastante no mundo, mas ao mesmo tempo não mudaram. As artes plásticas vêm sendo valorizadas. Há outras maneiras de chegarmos ao talento, em comparação ao passado. E o público tem frequentado mais exposições. Mas, de um modo geral, a arte e a cultura sempre foram mais desprezadas, fato que está muito ligado ao nosso problema com a educação. Hoje estamos ainda lamentando o incêndio do Museu Nacional. Porém, até o incêndio, os candidatos à presidência não falavam das artes. Mas acho que, sim, as artes estão ganhando mais atenção e respeito e isso não se restringe a uma geração. Você vê pessoas de épocas diferentes em exposições.

CLUBEONLINEAlgumas exposições ganharam notoriedade pela polêmica criada em torno da escolha de temas – polêmicas travadas por grupos conservadores, sobretudo. Vivemos tempos difíceis ou, de alguma forma, sempre houve a incompreensão e a perseguição a certas expressões artísticas ou perfis de artistas?

CILDOHá um discurso reacionário generalizado no ar, o que envolve da política à religião. Isso é também mais um produto da falta de informação. Há discursos medievais, há uma série de bobagens, mas isso também ocorria antes. Volta e meia enfrentávamos algum tipo de censura. A resposta para esse tipo de ação é continuar trabalhando. E não ligar para as redes sociais, que têm muita bobagem.

CLUBEONLINEE quanto ao entretenimento? Também acha que temos vivido um momento de alta?

CILDO – Acredito que sim, mas eu mesmo tenho visto pouco. Cinema tem sido mais no avião. E música eu recebo recomendações dos meus filhos. Recentemente, revi um filme ótimo dos anos 1960: São Paulo, sociedade anônima (dirigido por Luis Sérgio Person). Podia ver mais, mas certos formatos me cansam. Eu pratico futebol na TV e me interesso mais por documentários jornalísticos.

CLUBEONLINEO que o senhor pode nos contar sobre seu processo criativo?

CILDONão tenho um método sistemático de trabalho. Diria que cada trabalho tem uma biografia. Para cada nova ideia – o que é uma coisa rara –, para cada relâmpago, começo do zero. Acho que todo artista poderia se interessar mais por essa possibilidade de começar do zero. No sistema de galerias, é mais interessante que o artista tenha um estilo. Mas o estilo é uma espécie de morte para o artista. Eu penso assim. No Festival do Clube vou falar do processo criativo de algumas obras. Acho que Zero (Zero Cruzeiro e Zero Dólar) poderia ser uma delas, a Árvore do Dinheiro também, além de peças maiores como Eureka/ Blindhotland (que esteve em exibição no Tate).

CLUBEONLINE – A evolução digital tem permitido que grupos, artistas, movimentos e coletivos chamem mais atenção? No Instagram, por exemplo, muitos trabalhos de grafite têm obtido projeção, tanto de grafiteiros do Brasil quanto de artistas de fora do país.

CILDO – Se as redes forem encaradas de uma maneira mais pura, elas podem ajudar. Mas as redes têm controle e isso pode virar censura. Na medida em que se consiga resolver essa questão do controle, elas podem ser um meio fantástico de comunicação. Eu não frequento esses ambientes. Eles têm uma linguagem aparentemente democrática, mas ao mesmo tempo as redes não são absolutamente livres.

CLUBEONLINEO que espera de seu painel?

CILDOEstou curioso e espero que seja muito bom para todas as partes. Claro que depende um pouco também do dia. Que seja um dia com menos Alzheimer (risos).

 

Lena Castellón

 

Confira a programação do Festival do Clube 2018aqui.

SERVIÇO: Festival do Clube de Criação

Quando: Setembro, 22, 23 e 24 - 2018 - sábado, domingo e segunda-feira

Local: Cinemateca Brasileira - São Paulo – Brasil

Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino

Hosted by: Clube de Criação

www.clubedecriacao.com.br

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55 11 3030-9322

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Cildo Meireles: 'Cada trabalho tem uma biografia. Para cada nova ideia – o que é uma coisa rara –, para cada relâmpago, começo do zero. Acho que todo artista poderia se interessar mais por essa possibilidade de começar do zero'. Foto - Bernardo Damasceno