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por Laís Prado

O Espaço é Seu

O espaço é seu

A placa do Passat do Neil (Righi)

09
novembro
2017



Todo mundo sabe que o Neil Ferreira foi um cara genial. E genioso também. O que muita gente não sabe é que o Neil praticava um pão-durismo e se divertia muito com isso. Trabalhei com ele por quase três anos e todos os dias, rigorosamente todos os dias, o Neil se exibia com o mesmo cinto e o mesmo sapato. Cinto que ele se orgulhava de usar no último furo, mostrando a boa forma e o baixo peso exigido pelo plano de saúde internacional para que ele pagasse menos pelas mensalidades.

Então, para manter seu peso e seu dinheiro, Neil almoçava sistematicamente no Tucumã Grill, uma falecida casa de saladas e grelhados ao lado do Clube Pinheiros. Íamos eu, ele e o Pedrão pelo menos três vezes por semana. Neil se vangloriava da conta: dezoito reais! Só dezoito reais! Não tá bom? Perguntava com gestos  vitoriosos pelo menos três vezes por semana.

Pedrão era o Pedro Alcântara, o mais gentil dos redatores do planeta. Neil chamava-o de Senador, pelo porte, pela elegância, pela gentileza. Eu também ganhei um apelido: Magrão. Imagino que pelas mesmas razões. Neil tinha o carro mais velho e problemático da agência. Parecia um Passat. Inventei que ele economizava tanta gasolina que um dia, descendo a Cidade Jardim, o tanque transbordou.

Mas o que eu queria contar mesmo é o caso do dissídio. Fui testemunha de uma dúzia de conversas entre o Neil e o Negrini, financeiro da DPZ, decidindo o futuro: afinal, de quanto seria o dissídio? Neil perguntava qual índice o Negrini aplicaria para dar aumento para os funcionários, assunto que o interessava avidamente. Os dois se degladiavam com informações econômicas e recortes de jornais, comparando IGPM, INPC, IPCA, TR, UFIR. Foram dias de embate até que o Negrini bateu na mesa e encerrou o assunto: chega, anota aí, vai ser 11.74! O Neil, coisa rara, calou-se diante do número que enterrava o debate. Mas, quinze minutos depois, o Neil voltou a ser o Neil e ligou para o Negrini exigindo explicações.

- Tá bom, 11,74, fechado! Mas me conta, como é que você chegou a este número?

- É a placa do seu Passat.

Carlos Righi

Leia mais sobre o falecimento de Neil Ferreira, uma das maiores referências da publicidade brasileira, aquiaquiaqui e aqui.