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por Laís Prado

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United Nations of Singapore

Por Erick Rosa

08
outubro
2014




Diariamente testemunho aquele início clichê de piada: um português, um singaporeano, uma francesa, um australiano, um sul-africano e uma inglesa entram numa sala. Nacionalidades que mudam na próxima reunião. No próximo café, almoço, cerveja, elevador. Com uma margem de erro mais precisa do que qualquer instituto de pesquisa do Brasil, posso afirmar que são entre 18 e 22 nacionalidades na agência. E isso num universo de quase 80 pessoas.



E acho que aí é que está a parte mais interessante de Singapura até agora para mim. Essa misturada toda de culturas, línguas, opiniões, jeitos de falar, criar, reclamar, sorrir, brigar, torcer. Por falar em torcer, é lindo chegar aqui numa segunda e, a caminho do café, pescar na tela das pessoas um update esportivo geral dos resultados do final de semana pelo mundo.



O australiano doente pelo futebol que ele jura ser a coisa mais divertida do mundo assistindo o replay de um lance que eu não sei o nome; o indiano sofrendo com o resultado do cricket; um inglês xingando o Rooney e o outro da mesa ao lado, o Diego Costa. O primeiro porque não marcou e o segundo porque marcou contra o seu time. O português com uma tatuagem do Benfica postando algo no Facebook para seus amigos/rivais do Porto verem ao acordarem algumas horas depois em Portugal. Nada contra o clássico "Vai Corinthians!!", "Vascão vice!", e por aí vai. Mas confesso que essa

miniviagem antropológica esportiva que vejo todas as segundas é, no mínimo, mais curiosa.



Tem o almoço também. Aprendi a me perder de propósito pelos quarteirões perto da agência e evitar o hábito que desenvolvi ao longo da vida de descobrir um canto-- eleger um canto nesse canto e nunca mais abrir mão desse canto. Tem dia que erro feio. Mas, na maioria das vezes, tem sempre qualquer coisa que eu nunca comi na vida antes e que invariavelmente preciso apontar pois não sei pronunciar.



Singapura tem essa coisa de ser quase escondida no mapa. Parece pequena. E, se você cismar em medir o negócio, atravessar a ilha num respiro só, fuçar o Wikipedia, vai ter dados que afirmam que é de fato pequena. Mas também é gigante, uma vez que você esquece o mapa e conhece o lugar. Principalmente os cantinhos escondidos. E como é uma das cidades mais seguras do mundo, se perder para conhecer não precisa ser apenas uma expressão.



Um dos lugares que encontrei no Google Images quando soube que me mudaria para cá coincidiu com a indicação de um amigo da agência. E é uma boa metáfora dessa mistura de mundos que é Singapura: o Gardens by the Bay. São duas esferas (Flower Dome e Cloud Dome) gigantescas. Feitas com prazo, budget "Avengers" e o primeiro diretor da sua lista. Uma delas, a Flower Dome, reúne no mesmo espaço espécies de flores, plantas e similares de todo o mundo. É impressionante. Haja instagram para o negócio. Se bobear, o fera que inventou teve a ideia do aplicativo lá. Cada passo, a flor de um país, tudo milimetricamente pensado, com espaços bem divididos e respeitados. Precisamente como vejo e sinto o dia a dia na agência e fora dela. Milhares de pessoas de todos os cantos do mundo dividindo e respeitando o espaço nesse pequeno ponto no mapa.



Esses dias comprei uma Instax, aquela máquina que cospe minipolaroids. E comecei uma parede com fotos das pessoas da agência, clientes, amigos. Foto, nome e país de origem. Junto desse texto envio uma foto da parede. É um começo. Mas dá para se ter uma ideia.



Sobre a estrutura clássica de piada lá do começo. Aos poucos conheço melhor as culturas, as pessoas e o contexto-- e a piada de cada um-- fica muito mais engraçada hoje do que quando aqui cheguei. E para terminar, um último exemplo prático da mistura de nacionalidades que ocorre onze horas na frente do fuso. E neste caso, um exemplo sofrido. Durante a Copa, antes das semifinais, tive duas reuniões num mesmo dia. Na primeira, entraram numa sala um Brasileiro (Eu) e um Alemão. Na próxima, o mesmo Brasileiro, um Holandês e um Argentino. Todos os quatro semi-finalistas da Copa. Naquele dia todos riam. Principalmente o Brasileiro. Naquele dia.



por Erick Rosa, diretor de criação executivo da Lowe Singapura (aqui).