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Por contratos com Bradesco e Amil

Dony De Nuccio e Samy Dana deixam Globo

02.08.19

O âncora do Jornal Hoje Dony De Nuccio "pediu demissão" nesta quinta-feira (01º) da Globo depois que uma matéria do site Notícias da TV informou que o jornalista havia recebido em dois anos mais de R$ 7 milhões para produzir conteúdo para o Bradesco, por meio de uma empresa de comunicação - a Prime Talk Produções e Assessoria - aberta pelo profissional em 2017, contrariando os códigos de conduta da emissora. Os serviços seriam executados durante 36 meses, mediante o pagamento de 36 parcelas de R$ 1.678.800, mais de R$ 60 milhões no total.

O jornalista Samy Dana, que é um dos donos da Prime Talk e trabalhava na Globo desde o início de 2013, não teve o contrato renovado com o Grupo. Dana fazia entradas na TV e na Rádio Globo, escrevia coluna nos jornais O Globo e Valor Econômico e no portal G1. Além disso, era comentarista de economia da Rede Globo, GloboNews e SporTV.

De acordo com o Notícias da TV, a Prime Talk prestou ao Bradesco serviços de "road show telepresencial", treinamento telepresencial, elaboração e produção de cartilhas, desenvolvimento de apps e produção de vídeos, resvalando na assessoria de comunicação/imprensa.

De Nuccio, que estava no Grupo Globo desde 2011, trabalhou em telejornais locais de São Paulo, depois passou a apresentar o programa Conta Corrente, do canal de TV por assinatura Globo News. Em 2015, passou a comandar o Jornal das Dez. Em 2017, assumiu a bancada do Jornal Hoje, ao lado de Sandra Annenberg.

Ainda segundo o Notícias na TV (aqui), além dos negócios milionários com o Bradesco, pesou na decisão da Globo ao rescindir contrato com De Nuccio o fato de o jornalista ter realizado serviços de "consultoria de comunicação" para a Amil Assistência Médica, pelos quais cobrou R$ 1,2 milhão. Documentos aos quais o Notícias da TV teve acesso revelam que a parceria era efetivamente de assessoria de imprensa, o que conflita com os interesses da emissora e é antiético para qualquer jornalista.

Os nomes dos jornalistas Renata Vasconcellos e Rodrigo Bocardi também aparecem em contratos para prestação de serviços institucionais ao Bradesco, segundo matéria da Veja.

Bocardi teria recebido o valor de R$ 332 mil do banco em 11 de setembro de 2017. Notas fiscais obtidas pela reportagem da revista aparecem em nome da BOC Produções e Palestras, que seria do jornalista. Nelas, são especificados serviços para a UniBrad (Universidade Corporativa do Bradesco) e conteúdo direcionado para clientes do banco.

Já Renata aparece em imagens de uma reprodução de vídeo ao lado de um totem do banco. Nele, está escrito “120 razões para ser cliente”.

À Veja, a Globo enviou nota informando que Rodrigo Boccardi "não tem e nem nunca teve uma empresa como a do jornalista Dony de Nuccio: não produz vídeos de nenhuma espécie, não faz projetos de comunicação, não faz vídeos publicitários, não capta clientes e não faz assessoria de imprensa. Sua PJ é o meio usado para que seja remunerado por palestras, mediação de debates ou apresentação de eventos, sempre fechados, sem transmissão ao público."

Além disso, a emissora afirma que Renata "não lembra precisamente de quando foi a participação no vídeo interno ao qual às fotos se referem, mas estima que deve ter ocorrido há oito anos ou dez anos. O vídeo não foi obviamente produzido por ela: ela apenas foi contratada como apresentadora para um trabalho voltado a funcionários."

O comunicado também diz que a "direção de Jornalismo da Globo informa que foi procurada por alguns de seus jornalistas que relataram que foram contratados por terceiros para participação em eventos institucionais gravados em vídeo, mas sempre com proibição expressa de que as imagens fossem veiculadas ao público externo ou a clientes. Em alguns casos, a participação se deu com autorização da Globo por não ferir as políticas atuais da empresa. Em outros casos, a participação foi inadequada, mas sem má-fé. Todos informaram que não possuem empresas prestadoras de serviços de marketing, assessoria de imprensa ou de projetos de comunicação empresarial. A Globo, ciente agora de que persistem em alguns dúvidas sobre como agir diante de convites, informou que em breve um comunicado reiterará o que é proibido e o que não é, em detalhes, levando em conta a era digital em que vivemos."

 

 

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