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No Human is Limited

Duas marcas fazendo história na maratona

14.10.19

O dia 12 de outubro de 2019 está marcado como aquele em que um ser humano concluiu uma maratona abaixo de duas horas. O queniano Eliud Kipchoge superou a distância clássica - 42,195 quilômetros - em 1h59m40s em um desafio criado em Viena não por uma entidade esportiva, mas por um grupo da indústria química, o Ineos, baseado no Reino Unido e presente em 26 países. Fora das condições normais de uma competição, o feito não pode ser registrado como recorde. Mas já é história.

Kipchoge já havia tentado antes a quebra da barreira das duas horas para a maratona. Foi em 06 de maio de 2017, também em um desafio estabelecido por uma marca, a Nike. O Breaking2 foi estabelecido no autódromo de Monza, na Itália, mas o maratonista fechou o percurso em 2h00m25s. Apenas 26 segundos o separaram do feito, que passou a perseguir.

Monza serviu como ensaio para o queniano. O desafio Ineos 1:59 surgiu como fruto desse anseio, aliado aos propósitos de marca da companhia. Em 16 de setembro de 2018, Kipchoge estabeleceu novo recorde mundial ao vencer a Maratona de Berlim com o tempo de 2h01m39s. Neste ano, em abril, o corredor fez o segundo melhor tempo no mundo na Virgin Money London Marathon, com 2h02m37s. A prova foi acompanhada pelo fundador e chairman do grupo Ineos, Jim Ratcliffe, um corredor amador.

No mês seguinte, exatos dois anos do Breaking2, Kipchoge anunciou sua nova tentativa, o Ineos 1:59. Foi montado um time para que o atleta queniano pudesse bater a marca, com corredores renomados, entre eles um medalhista olímpico, que ajudariam a estabelecer o ritmo necessário para a meta. E havia ainda um grupo de especialistas dedicados à performance.

Outras estratégias foram cruciais para que o desafio fosse realizado, como treinos preparatórios em Viena, reforço no time a semanas da prova (no total, foram convocados 41 atletas) e um plano de corrida meticuloso, com atletas se alternando pelo percurso e um carro sinalizando com uma luz verde projetada no asfalto o pace (ritmo) a ser mantido. Tudo documentado com extenso material publicado na web.

Em setembro, o Ineos lançou a campanha #NoHumanIsLimited, como lema para inspirar Kipchoge, outros corredores e homens e mulheres interessados em atividades esportivas. O grupo afirma que sempre se pautou por pessoas com determinação e foco.  Também reforçou, com a ação, que acredita que indivíduos podem se sobressair quando desafiados e que a formação de times permite que se alcancem resultados extraordinários. A companhia, que procura associar a marca a práticas saudáveis, vem investindo em esportes há alguns anos, de rúgbi a futebol, passando pela corrida. Mais recentemente, o Ineos decidiu apoiar atletas de elite.

"Ninguém deve dizer ao Ineos que algo não pode ser feito", declarou John Mayock, ex-atleta olímpico que é Head of Sport do grupo, para a revista online criada pela empresa para divulgar o projeto. Dias antes de o desafio acontecer, Ratcliffe disse acreditar que a prova iria inspirar novas gerações a correr e a ficar em forma para a vida toda. "Eliud tem um grande papel a desempenhar. Podemos apenas facilitar. Por mais que sejamos bom em acertar detalhes, ainda é um feito super-humano", completou.

Kipchoge, após completar o desafio, comparou seu momento como o do homem indo à lua pela primeira vez, acontecimento que completou 50 anos em 2019. “Espero que mais pessoas no mundo possam correr abaixo de duas horas”.

Parceria com a Nike

Quem acompanhou a corrida pela internet (com transmissão pelo YouTube) ou mesmo depois, quando a marca ganhou os holofotes da mídia internacional, pode ver o batalhão de corredores - os pacemakers - que apoiava Kipchoge com tênis rosas, enquanto ele usava um modelo branco. Saber que tênis de corrida o atleta queniano usou para estabelecer o feito tornou-se uma busca importante no Google.

A Nike informa: ele correu com uma edição futura do modelo Next%, da linha Vaporfly, a mesma com que disputou o Breaking2 (o utilizado em Monza foi o Nike Zoom Vaporfly Elite). A marca conta que o desafio que criaram em 2017 apresentou Kipchoge a um público maior do que o habituado ao universo das corridas, mas o atleta tem apoio da Nike desde o início dos anos 2000. Naquele tempo, relembra a companhia, o queniano era um corredor de cross-country que estava começando a traçar seu destino.

O primeiro teste de Kipchoge com o que seria o Vaporfly Elite foi em janeiro de 2016. Meses depois, ele usou um protótipo do modelo na Maratona de Londres e depois nos Jogos do Rio, onde conquistou a medalha de ouro da prova. Desde então começou sua colaboração para o desenvolvimento do Next%.

Foi ainda em 2016 que o atleta queniano visitou o Nike Sports Research Lab, como parte dos preparativos para o Breaking2. Depois do desafio de Monza, ele manteve sua colaboração com o laboratório. O recorde mundial da maratona foi quebrado em Berlim com o modelo Vaporfly Elite. Já para a Maratona de Londres deste ano, ele usou um protótipo do Next%.

Às vésperas do Desafio Ineos 1:59, a Nike escreveu em seu site de notícias: “independentemente do resultado, o que está claro é que a experiência singular deste campeão irá gerar mais feedback, mais perguntas e, por fim, mais avanços no esporte como um todo.” Logo após a espetacular prova, a marca atualizou o texto com apenas uma frase: “Kipchoge quebrou a barreira das duas horas correndo 1:59:40”. Não era preciso dizer mais nada.

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Duas marcas fazendo história na maratona

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