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Criatividade fora da propaganda: 'é preciso errar'
Guga Ketzer, sócio e diretor de criação da Loducca, moderou o debate "Criatividade fora da propaganda", que contou com o chef Alex Atala, Romero Rodrigues, fundador e CEO do Buscapé, e Ryan Hurley, diretor criativo da marca Hurley (que realizou a primeira palestra desta segunda-feira, 03, leia aqui).
O bate-papo rolou no auditório Simon Bolivar, no Memorial da América Latina, neste terceiro dia do Novo Festival do CCSP.
Guga abriu a discussão dizendo que a proposta da mesa era trazer gente que usa a criatividade mas não necessariamente com a palavra, como é na propaganda. E perguntou: "qual o papel da criatividade no negócio de vocês?"
Atala comentou que "criatividade não é fazer o que nunca ninguém fez, mas é fazer o que todo mundo faz de forma surpreendente, é mudar o óbvio". "Mas mais importante que a criatividade é a inovação, que é a criatividade com utilidade", disse. "É a utilização de sua ideia que vai fazer a inovação contundente. Essa é a função principal da criatividade na minha cozinha".
Romero concordou com Atala e afirmou que é necessário inovar o processo continuamente. "Para trazer inovação dentro da empresa é necessário promover as novas ideias, até as que dão errado. Na área da tecnologia há um medo gigantesco do fracasso. Se tem medo do fracasso, não tem tentativa, não tem inovação, não tem criação", observou.
Hurley também seguiu por essa linha e defendeu que "quanto mais rápido erra, fracassa, mais rápido a empresa vai ter sucesso em seguida". "Muitas vezes tivemos modelos que fracassaram. Na nossa companhia, a gente gosta de trabalhar com um guia de inovação. Todo mundo usa essa palavra, mas só ser criativo não é suficiente, tem que ser criativo com um propósito. Criatividade pela criatividade pode não trazer sucesso. Temos que criar solução para um problema que a pessoa nem sabia que tinha", ponderou.
Guga questionou como os participantes da mesa, olhando para sua equipe, estimulam o erro e qual o limite de acerto/erro para estimular um ambiente inovador.
Atala afirmou que é importante o líder se expor e provocar o conflito, a discussão, não a competição. "O ideal é você ser contestado, essa é a grande ferramenta do bom restaurante, não dá para a equipe só te aplaudir, 'seguir o mestre', isso não é construtivo", comentou.
Romero disse que no Buscapé há um ambiente controlado, onde se pode testar tudo. Além disso, a empresa afirma que premia não só aqueles profissionais que usaram o ambiente de teste e tiveram sucesso, mas também aqueles que fracassaram. "Eu também costumo me expor aos funcionários, conto a eles situações em que eu sugiro uma ideia e ela não deu certo, para que eles se sintam confortáveis para errar também".
No final do debate, Atala lembrou que passa por momentos de "crise absurda", em que acredita que "desaprendeu cozinhar" . Ele contou que conheceu uma tribo que, quando sai para caçar e não encontra nada, acha que o problema é dela e não culpa a ninguém mais, senão a própria população da tribo. "Então, os indígenas dessa tribo voltam, fazem um ritual, buscam sua sensibilidade e retornam ao campo, atrás do seu alimento. Eu tenho resolvido minhas crises criativas, de alguma forma, assim: não culpando o entorno, mas mergulhando no meu interno", finalizou.