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Pesquisa sobre diversidade

72% dos brasileiros não acreditam na autenticidade das marcas

29.01.20

Uma pesquisa da Insights & Data Analytics do Grupo Croma mostra quanto o brasileiro está desconfiado das marcas quando se trata do tema diversidade. Batizado de Oldiversity, o estudo avalia como as empresas estão lidando com a longevidade e a diversidade de orientação sexual, gênero, raça e pessoas com deficiência.

A proposta é que a pesquisa seja um parâmetro avaliativo de marcas que pensam e se preocupam com os assuntos ligados a essas temáticas, promovendo e defendendo bandeiras como as da comunidade LGBTQ+. Foram entrevistadas 1.814 pessoas.

Um dos dados que chama atenção é que 47% dos brasileiros não têm lembrança de fatos ou conteúdos relevantes capazes de conectar marcas a causas ou questões humanas. Outro resultado indica que 72% dos entrevistados não acreditam na autenticidade das marcas quando abordam os temas da diversidade. “Isso abre um debate sobre o quanto o posicionamento, a oferta e a comunicação de marcas e empresas podem estar descolados da realidade”, afirma Edmar Bulla, CEO do Grupo Croma.

De acordo com o estudo, 53% dos brasileiros afirmam não consumir marcas com comportamentos preconceituosos. Mas apenas 47% se identificam com as propagandas que abordam o tema. Essa falta de identificação e baixa associação de marcas, somadas ao despreparo de grandes setores ao lidar com a diversidade, contribuem para o sentimento majoritário de descrença.

O varejo brasileiro não é visto como preparado para lidar com a diversidade e tampouco parece estar implantando ações para o futuro. Entre os entrevistados, 78% não creem que as lojas estejam aptas a atender pessoas com deficiência e 72% pensam que as lojas estão despreparadas para a diversidade.

Ou seja, o problema não está só na publicidade. “É preciso ter diversidade representada na loja”, explica Bulla. “Faltam compromisso e uma posição mais clara. As empresas ficam na retranca, preferem se manter neutras por medo de errar. O grande gap diz respeito a pessoas com deficiência. Há um descolamento em relação às necessidades dessas pessoas, que não são atendidas”, completa o CEO do Grupo. No Brasil há quase 13 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência classificada como severa.

Outros resultados do estudo trazem indicadores sobre preconceito e racismo na comunicação das marcas no Brasil. Um dos problemas detectados pela pesquisa é o atendimento de vendedores e call centers, considerado preconceituoso por 42% da população LGBT+. Desse público, 52% acreditam também que a propaganda brasileira é racista, índice maior que o declarado por negros (37%).

Se por um lado 78% dos entrevistados aceitam a diversidade, 45% afirmam que esse tema é um tabu para as marcas. Por outro lado, 35% acreditam que as empresas correm muitos riscos quando levantam a bandeira sobre a diversidade. E 48% defendem que as marcas deveriam ser imparciais.

Pesquisa sobre diversidade

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