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The day after

A cultura da Droga5 se perderá com aquisição pela Accenture?

04.04.19

As negociações entre a Accenture e a Droga5 duraram cerca de um ano até culminarem no anúncio feito nesta quarta-feira, 04, da aquisição da agência de Nova York pela Accenture Interactive (leia aqui). Assim que o acordo foi revelado, diversas vozes se multiplicaram pelo mercado lamentando a decisão de David Droga, fundador da agência. É o que registra o site The Drum, que afirma que a reação da indústria nos EUA foi, em sua maioria, de choque.


A razão estaria, em parte, numa incongruência entre a visão da Accenture, uma companhia global e de perfil colaborativo, e o posicionamento independente da Droga5, sempre antes muito valorizado. Tanto que se comenta que alguns profissionais poderão deixar a agência, já que o fogo da independência não existe mais. E, além disso, outro perfil de clientes deverá chegar à empresa.


Sarah Thompson, CEO global da agência, declarou para o site que está confiante na promessa feita por Brian Whipple, CEO da Accenture Interactive, de que irá proteger a cultura da Droga5, o que teria o primeiro ponto ressaltado pela própria Accenture nas discussões para fechar o negócio. “Eles realmente nos perguntaram 'O que precisamos fazer e o que não precisamos fazer? Como podemos ter certeza de que temos esse diálogo a cada passo que dermos para fazer a integração e garantir que vocês sejam mais criativos do que nunca?’”


De acordo com o site The Drum, Whipple já fez perguntas semelhantes antes. Afinal, ele liderou a Accenture Interactive em 30 processos de aquisições em quase uma década. Whipple refinou o que é chamado internamente de “cultura de culturas”. Isso quer dizer uma postura que exige que as empresas adquiridas alinhem seus valores com os da consultoria, sem deixar de proteger sua cultura interna.


Questionado se Droga5 e Accenture Interactive são muito diferentes, Whipple respondeu primeiro que acha “estranho que jornalistas ainda estejam falando sobre essa coisa de consultoria versus agência”. Em seguida, afirmou que as duas empresas não são muito diferentes. Segundo ele, as duas concordam que uma visão de marketing holística e orientada pela experiência é fundamental.


Whipple acrescentou: “eles (Droga5) estão muito mais mergulhados em uma cultura corporativa estratégica do que muita gente imagina. Eles estão mais sintonizados com esse negócio de consultoria do que muita gente pensa”. E ressaltou ainda que é um equívoco pensar que a Accenture Interactive é composta apenas por contadores de terno.


Em reunião com a equipe de profissionais da agência, Sarah Thompson disse que se discutiu muito a visão de futuro da empresa e sobre os caminhos que gostariam de seguir, lembrando que o posicionamento da casa está migrando da publicidade mais tradicional para um processo de experiência completa de marca. “Nossa base de funcionários está começando a entender que o poder da Accenture Interactive está muito alinhado com o que estamos fazendo. As pessoas estão animadas em ver oportunidades e escala global, que não conseguíamos realizar antes”, afirmou.


Leia a reportagem do site The Drum aqui (em inglês).

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