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192,9 mi de assinantes

Netflix cresce mas aponta queda no ritmo de expansão

17.07.20

No balanço do segundo trimestre, a Netflix trouxe bons resultados, mas também demonstrou que tem importantes desafios a enfrentar pelo resto do ano. Apresentado nesta quinta-feira, 16, o relatório indica que a plataforma conta hoje com 192,95 milhões de assinantes globalmente. O serviço conquistou 10 milhões de novos usuários no período.

Essa expansão supera a previsão de aumento da base feita no balanço anterior, que era de 7,5 milhões de assinaturas novas. No segundo trimestre de 2019, o serviço teve a adesão de 2,7 milhões de pessoas. A conquista de clientes e a retenção dos assinantes nestes tempos de covid-19 pode ser entendida pela busca das pessoas por entretenimento durante a quarentena.

Já na análise do semestre, ano por ano, o crescimento da base de assinantes é menor. Nesta primeira metade de 2020, a Netflix agregou 26 milhões de assinaturas. No mesmo período em 2019, o aumento foi de 28 milhões.

Com o mercado mais concorrido e com os abalos na economia que o mundo tem enfrentado, desafios também se apresentam para a principal plataforma de streaming do planeta. A Netflix informou aos investidores que “o crescimento está diminuindo à medida que os consumidores passam pelo choque inicial da covid-19 e das restrições sociais”. O balanço do primeiro trimestre já tinha alertado que o ritmo de adição de assinaturas deveria cair no segundo semestre. A carta aos investidores confirma a previsão.

A Netflix projeta um aumento de 2,5 milhões de contas no terceiro trimestre, em comparação aos 6,8 milhões do mesmo período em 2019. A empresa lembra que, no terceiro trimestre de 2019, houve o efeito positivo das novas temporadas de “Stranger Things” e “La Casa de Papel”.

A receita no segundo trimestre foi de US$ 6,148 bilhões. No segundo trimestre de 2019, foi de US$ 4,923 bilhões. A previsão para o terceiro trimestre é que a receita seja de US$ 6,327 bilhões.

Além desses números, a companhia anunciou que Ted Sarandos, Chief Content Officer, passa a dividir o comando junto com o fundador e atual CEO Reed Hastings. Ele acumula o trabalho de cuidar do conteúdo, cerne do sucesso da plataforma, com a posição de co-CEO (leia mais aqui).

Conteúdo

Uma questão crucial para a Netflix é a retomada de produções. Na Ásia, as filmagens estão mais avançadas. E em alguns países da Europa o trabalho já recomeçou, com cada operação seguindo as regras sanitárias e de segurança estabelecidas pelas diferentes regiões.

Embora tenhamos retomado recentemente a produção de dois filmes na Califórnia e dois projetos de animação em stop-motion no Oregon e esperemos que mais algumas de nossas produções nos EUA sejam iniciadas neste trimestre, as tendências atuais de infecção criam mais incerteza para nossas produções nos EUA”, aponta o documento. A empresa diz que outras partes do mundo, como Índia e alguns países da América Latina, são mais desafiadoras. “Esperamos reiniciar no final do ano nessas regiões”.

Os planos de lançamentos para 2020 estão praticamente mantidos. Como os projetos são preparados com longo tempo de produção, a Netflix assegura que o total de títulos em 2021 será maior que o 2020, embora o segundo semestre do próximo ano seja mais contido no que se refere aos grandes hits da plataforma, devido às paralisações provocadas pela quarentena.

Normalmente reticente em liberar números de audiência, a Netflix tem tornado público alguns dados. Em relação a seus filmes originais, ela reportou que 27 milhões de famílias assistiram a “Destacamento Blood”, de Spike Lee, que foi lançado em junho. A empresa ainda menciona “Resgate”, com Chris Hemsworth, e a comédia “A Missy errada” como exemplos, com 99 milhões e 59 milhões de contas consumindo esse conteúdo nos primeiros 28 dias do lançamento (veja aqui o top 10 de filmes mais populares).

Black Lives Matter

A companhia informou também aumento na visualização de títulos que estão há mais tempo no catálogo, como “13º”, “American Son” e “Dear White People”, parte da coleção Black Lives Matter. A luta antirracista se intensificou no mundo recentemente, com manifestações em vários países.

A Netflix citou séries como “Dark”, da Alemanha, e “Controle Z”, do México, como impactantes, porém voltou a mencionar “La Casa de Papel”, cuja quarta temporada, lançada em 3 de abril, foi vista por 65 milhões de lares em seus primeiros 28 dias.

No terceiro trimestre, as apostas são “The Old Guard”, estrelado por Charlize Theron, “Project Power”, com Jamie Foxx, e “Enola Holmes”, que traz Millie Bobbie Brown (a Onze/ Eleven de “Stranger Things”), como a irmã de Sherlock Holmes, interpretado por Henry Cavill.

Concorrência

A Netflix disse não se preocupar com o aumento da disputa pela atenção do consumidor. Ela observou que todas as grandes empresas de entretenimento do mundo como WarnerMedia, Disney e NBCUniversal, estão impulsionando seus serviços de streaming ou criando plataformas poderosas (caso da NBCUniversal e o recém-lançado Peacock).

Duas das empresas mais valiosas do mundo, Apple e Amazon, estão aumentando seus investimentos em conteúdo premium. Além disso, o crescimento do TikTok é impressionante, mostrando a fluidez do entretenimento na internet”, acrescentou a companhia.

Sua estratégia para manter sua relevância e sua base de assinantes? A Netflix responde que é tentar melhorar o serviço e o conteúdo a cada trimestre mais rapidamente do que os concorrentes. Afinal, a crise da covid-19 também atingiu essas gigantes do entretenimento e da tecnologia.

192,9 mi de assinantes

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