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Cannes Lions 2019

Histórias peculiares dos jurados brasileiros II

05.06.19

Ser jurado no Cannes Lions é considerado um prêmio entre os profissionais do mercado de comunicação. Mas é também sinônimo de muito trabalho, que começa bem antes do Festival abrir suas portas. Quem esteve recentemente em um júri, sabe. Depois que o grupo se reúne pela primeira vez no Palais, só verá o sol depois que o julgamento acabar. Palavras de um jurado da edição 2017, Bruno Prosperi, diretor executivo de criação da AlmapBBDO, em conversa com os representantes do Brasil neste ano.

O julgamento é composto de três rounds, que envolve analisar as peças, votá-las, discuti-las e premiá-las. Na primeira rodada, cada campanha leva pontos em uma escala de 1 a 9, se os jurados a considerarem para o shortlist. A segunda etapa é para fazer uma revisão. O júri avalia se as peças finalistas merecem ficar apenas no shortlist ou se são possíveis vencedoras. Em geral, cerca de 10% das inscrições atinge esse estágio, segundo a organização do Cannes Lions.

Na última fase, com orientação do presidente do júri, é feita mais uma rodada de análises e debates das campanhas antes de elas serem definidas como Ouro, Prata, Bronze ou Shortlist. Para que se reivindique um Leão para uma determinada peça é necessária uma votação de 2/3 do júri.

Terminadas as votações, os resultados são lidos e o júri confirma as decisões. Então, chega a hora de definir o Grand Prix dentre os Leões de Ouro. Os cases são debatidos e, enfim, se faz a eleição do GP.

O Brasil tem 22 jurados representando o país no Festival, que começa no dia 17 de junho. Para saber mais da relação de cada um deles com o Cannes Lions, o Clubeonline procurou os jurados para saber suas histórias peculiares ou conferir suas análises para a edição deste ano.

Confira os depoimentos de Bia Granja (fundadora e CCO do YOUPIX), Felipe Simi (fundador e head of creative data da Soko), Monique Lopes (diretora de projetos especiais da Africa), Paulo Ilha (vice-presidente de mídia da DPZ&T) e Vania Ciorlia (vice-presidente executiva da Ketchum). A primeira matéria com as histórias e análises dos jurados (leia aqui) contou com Adriano Matos (CCO da Grey Brasil), André Kassu (sócio e CCO da Crispin Porter + Bogusky Brasil), Átila Francucci (vice-presidente de criação da Nova/SB), Cristiano Pinheiro (sócio e produtor da Punch Audio) e Serginho Rezende (diretor musical da Comando S).

 

Bia Granja - jurada de Social & Influencer

“Minha história peculiar sobre Cannes é que nunca imaginei que participaria do maior festival de publicidade do mundo, dado que minha área de atuação não estava diretamente relacionada ao escopo do evento. Vou pisar pela primeira vez em Cannes. É minha primeira vez como jurada de qualquer festival de publicidade, mas estou me sentindo tranquila porque o presidente do júri é um amigo e brasileiro, o PJ (PJ Pereira, da P&OD). :)

Estamos trocando bastante sobre essa coisa de júri. É muito legal ver a perspectiva do PJ sobre o Festival e a publicidade. O critério que ele indicou que usássemos é tão, tão simples... Disse ele: ‘deixa o coração falar’. Pra mim, uma outsider, foi um alento e me deixou confiante.

Nunca participei de festivais de publicidade. Acho que minha maior expectativa é ver como a comunicação publicitária está se inserindo nas conversas sociais, seja pautando, contribuindo ou amplificando. Publicidade, pra mim, sempre refletiu muito os movimentos culturais e sociais. É interessante ver como essa conversa acontece e se conecta com trabalhos de países tão diversos.

Temos cases de todo tipo, dos mais ‘Big Idea’, super virais, até aqueles que se conectam diretamente com o negócio daquela marca. E em todos os níveis vejo uma preocupação maior com a diversidade, a causa, os assuntos relevantes do mundo hojeEssa perspectiva é a que mais me encanta no momento.”

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Felipe Simi - Creative Data

“Este será meu terceiro ano no Festival. Fui duas vezes como delegado e agora volto como jurado. Na minha história com Cannes, descobri que prefiro a autocrítica à autorreferência. Não acho que o melhor que podemos fazer ali é nos inspirar no que já foi feito. Sempre evitei esse viés e não acho que o Festival deveria ser entendido como um compilado de tendências que pautam a criatividade de amanhã. Nas minhas idas, vi mais valor no conteúdo adjacente à premiação em si e nas eventuais discussões abertas sobre o modus operandi da indústria que aconteciam nos palcos. Muitas delas me inspiraram, inclusive, a fundar a Soko. Sobre a minha categoria, muitas vezes se reduz o entendimento de Creative Data à matemática ou ao uso da tecnologia, mas para mim, a categoria é sobre a transformação cultural que uma boa ideia não conquistaria sem dados. É isso que vai me chamar mais a atenção nos trabalhos.”

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Monique Lopes - Print & Publishing

“Fui para Cannes duas vezes. Esta será a terceira vez e a primeira como jurada. A experiência no Festival como um todo é sempre bacana. Nós nos surpreendemos com o que vemos por lá e isso nos incentiva a ir além nos nossos trabalhos. Participar como jurada e ter a oportunidade de selecionar os melhores trabalhos do mundo é gratificante. Estou entusiasmada em vivenciar esse momento com os outros jurados de outras culturas e repertórios diferentes. Com certeza a troca será muito rica. Quanto ao nível criativo do Festival, todo ano a barra sobe com os trabalhos que vemos por lá e nosso ombro desce com a pressão de conseguir romper mais barreiras no ano seguinte. Mas, eventualmente, com o friozinho na barriga saem ideias que chegam lá. Como sempre digo na minha área, se tem friozinho na barriga é porque vale a pena. O Festival nos incentiva a nunca ficarmos satisfeitos com o ‘bom’, puxando as ideias no limite. Este ano acredito que os trabalhos que estão chegando fortes em Cannes são: The Hidden FlagWhopper Detour, O Comercial Infinito, BJK your Shoes e o nossos projetos History Blocks e Necessary Discounts.”

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Paulo Ilha - Media

Sou jurado em Cannes pela primeira vez, embora eu tenha ido outras quatro vezes ao Festival. É um momento muito especial e marcante da minha carreira. Quero muito colaborar com meus colegas e conhecer trabalhos que tenham, principalmente, um sólido embasamento de dados, uma estratégia muito bem desenvolvida, geração de resultados importantes para as marcas e uma abordagem criativa para o consumidor final.

Cannes é uma oportunidade única, porque reúne os melhores trabalhos do mundo. Dá visibilidade ao mesmo tempo em que proporciona um lado inspirador, capaz de gerar conhecimento necessário para evoluir os profissionais de comunicação. Nenhum deles retorna o mesmo de Cannes e isso é ótimo para o mercado. Mais do que prêmios, isso é o que mais valorizo.

Vivemos uma enorme transformação na área de mídia. E vejo isso de forma muito positiva, afinal a mídia nunca exerceu antes um papel tão grande como protagonista no contexto de comunicação. Chegamos a esse patamar hoje utilizando com mais eficiência ferramentas, tecnologia, dados para embasar as decisões de gestão de comunicação dos anunciantes sem deixar de lado, claro, a criatividade em torno da atividade de um profissional de mídia. Essa transformação ainda vem sendo trabalhada pelo mercado; o que é algo natural, pois o setor precisa estar devidamente preparado para este desafio.”

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Vania Ciorlia - PR

“É minha primeira vez como jurada no Cannes Lions. Sempre acompanhei o Festival e os Leões à distância. Estou bastante entusiasmada com a oportunidade e super orgulhosa de ter sido escolhida para representar a categoria de PR pois é um segmento que vem ganhando importância a cada ano.

Na fase de pré-julgamento vi 272 cases – sim, ser jurada não é só reconhecimento profissional; é responsabilidade e trabalho duro. Contabilizados cerca de sete minutos por case, em média, estou falando de quase 32 horas de dedicação prévia. Porém, isso não é nada perto das ideias, do aprendizado, do networking com os demais jurados e da possibilidade de entender como o PR vem trabalhando as marcas globalmente. Cada vez mais a audiência é quem influencia e faz multiplicar a mensagem. É quem compra as causas, quem muda leis, quem se engaja na defesa de um assunto. Ou seja, hoje as agências devem ser mais e mais audience engagement oriented.

Um simples post pode provocar uma revolução e essa é a magia do PR – trabalhar criativamente um tema para conquistar mídia espontânea e compartilhamentos com verbas menores, mas alcance gigantesco. Gerar impacto e, principalmente, ganhar a confiança, a empatia e o respeito dos consumidores, oferecendo algo genuíno em troca da sua atenção. Ninguém aguenta mais fake news e invasão de privacidade. Por isso PR tem de focar em ética e transparência. Assim, a empresa, o produto, a causa ou serviço influencia e engaja aliados, a mensagem se multiplica e  as histórias se destacam emocionando, informando, gerando identificação imediata. Minha expectativa é ver cases que construam essa trajetória. E aproveitar cada minuto dessa experiência que certamente será inesquecível.”

 

Lena Castellón

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