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Conteúdo com credibilidade

ClickTube une jornalistas e artistas em rede de canais

15.08.19

A reunião de expertises em campos diferentes, mas complementares deu origem a uma nova plataforma de vídeo que tem como propósito conteúdo com credibilidade. Essa é a tônica do ClickTube, uma rede de canais no YouTube que surge no mercado no dia 26. A empresa agrega projetos conduzidos por jornalistas, apresentadores e artistas, grande parte gente com experiência em TV e que aposta na web para dar uma guinada na carreira ou para lançar um projeto que complementa sua atividade. Entre os integrantes estão Cris Dias (ex-apresentadora de esporte da Globo), Luciana Ávila (ex-apresentadora do Esporte Espetacular, também da Globo), Tania Kalill (atriz), Jair de Oliveira (músico), Mariana Kotscho (do programa Papo de Mãe, da TV Cultura) e Guto Abranches (ex-apresentador do Conta Corrente, da Globonews).

O formato do ClickTube se assemelha ao de uma cooperativa. É um sistema colaborativo em que os membros não têm de pagar para integrar a rede. O conjunto de projetos de conteúdo, com diversidade de temas, é o que promete atrair atenção das marcas. Nesse modelo, jornalistas e artistas deixam de ser funcionários de uma empresa e se transformam em empreendedores no ambiente digital. Ou seja, eles cuidam de seus canais, trabalhando para aumentar a audiência e criar vídeos de qualidade. O ClickTube oferece consultoria para adequar linguagens e viabilizar o crescimento no YouTube e se responsabiliza pela parte comercial.

A empresa nasceu a partir de um encontro do YouTube com os responsáveis por canais com alta audiência. Entre eles estava um dos criadores do BobZoom, personagem infantil com mais de 1,9 milhão de inscritos na plataforma de vídeos do Google, Oswaldo Braz. Na reunião falou-se sobre a importância de se ter mais conteúdo de qualidade e credibilidade no YouTube. Ao mesmo tempo, o jornalista Paulo Roberto Amaral, que tinha deixado a Globo após mais de 30 anos na emissora, estava planejando criar alguma cooperativa reunindo profissionais que tinham saído da TV. Ex-apresentador e repórter, ele havia trabalhado muitos anos por trás das câmeras, ajudando a implantar programas como o SPTV. Foi editor-chefe do Jornal Hoje também. Em sua experiência, estão projetos de interatividade em que o conteúdo saía da TV e continuava na internet.

Fora da Globo havia três anos e atuando na Ageimagem Comunicação Corporativa, na qual é sócio junto com a jornalista Patricia Limeira, Paulo estava atento a jornalistas que tinham se dedicado ao meio televisivo e que, fora dele, estudavam o que poderiam produzir a partir de então. Foi nesse momento que Oswaldo se encontrou com a dupla e os três começaram a criar o ClickTube. O projeto ganhou impulso com a chegada da Media Megas como sócia.

A empresa trouxe seu know-how em Out Of Home (OOH), um meio que ampliará a audiência dos canais do ClickTube. "Quem acessar o sistema de wi-fi grátis nos terminais de ônibus paulistanos será levado automaticamente para a home do ClickTube", declara Flávio Polay, sócio-diretor da Media Megas, ao lado de Vagner Cunha e Bruno Folegatti. Uma equipe do MediaMegas está encarregada de cuidar da área comercial da nova plataforma.

Projetos com marcas poderão encontrar o perfil de canal mais adequado para atingir o público pretendido, a partir das ferramentas implantadas pela Media Megas. Outro atrativo, além da presença do conteúdo no acesso via wi-fi, é a extensão da cobertura da empresa de OOH, que tem como canais de mídia supermercados, elevadores, aeroportos (inclusive os de aviação executiva) e caixas de bancos 24h. As ações podem envolver mais diretamente um canal e isso pode gerar uma proposta em que o jornalista ou artista participem mais do briefing.

Acostumados com as normas de emissoras de TV, muitos dos profissionais que aderiram ao ClickTube (também chamados de clicktubers) não tinham o hábito de vincular suas imagens à publicidade de uma marca. Na nova rede isso não é um problema. “A web pede sinceridade. É preciso deixar claro quando se trata de uma ação comercial. O jornalista pode fazer um projeto sem agredir sua ética. Queremos mostrar que jornalismo pode ser honesto e autossustentável”, afirma Paulo.

Produções do Rio a Orlando

Para o lançamento, a rede deverá contar com 52 canais, com conteúdo produzido em 14 cidades do Brasil e do mundo, de São Paulo a Nova York, de Florianópolis a Orlando, do Rio de Janeiro a Boston. Mas um número considerado bom para os sócios é 150 canais, o que pode ser atingido em um ano de operação. Com esse volume, Paulo acredita que será possível estabelecer de 15 a 20 “editorias”. Hoje são sete.

Há conteúdo de esporte, turismo, direitos da mulher, saúde e até motociclismo. Tudo com aval de quem trabalhou anos construindo informação de qualidade. E nem sempre isso significa gente que atuou na TV. Entre os “novatos” estão a jornalista Cris Padiglione, especializada em TV, mas que se dedicava basicamente à imprensa escrita, e Ricardo Kotscho, outro jornalista consagrado que fará uma espécie de “Observatório da Imprensa” no YouTube, que, aliás, é chamado de parceiro pelos sócios.

É importante produzir conteúdo qualificado em um ambiente contaminado por fake news, que é a internet. Com a rede, criamos um oásis de vídeos que têm a responsabilidade com a informação”, diz Paulo. Quem entra na rede tem liberdade de criação. Quem quiser se aventurar na web, seja jornalista ou artista, irá encontrar respaldo da empresa para desenvolver seu projeto no YouTube. “Nosso compromisso é fazer com que eles cresçam. Com mais canais e mais audiência, maior receita de publicidade teremos”, explica Paulo. A sócia Patrícia completa: o ClickTube quer ser reconhecido como um meio que fomenta negócios de comunicação e com um cast de produtores de conteúdo em que se pode confiar.

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