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Cannes Lions 2019

Histórias peculiares dos jurados brasileiros IV

14.06.19

O Cannes Lions abre suas portas nesta segunda-feira, 17. Algumas categorias revelam os shortlists neste final de semana. É o caso de Design, Health & Wellness e Pharma. Nesta matéria da série “Histórias peculiares dos jurados brasileiros”, ouvimos três jurados dessas competições.


Entre eles está Bernardo Romero, diretor executivo de criação de Healthcare & Wellness da Grey dos Estados Unidos. Há mais 10 brasileiros nos júris de Cannes representando outros países (veja aqui). Dois deles são presidentes de júris: Jaime Mandelbaum (vice-presidente de criação VMLY&R da Europa), de Brand Experience & Activation, e PJ Pereira (creative chairman e fundador da Pereira & O’Dell), de Social & Influencer.


Nesta última rodada de depoimentos dos jurados brasileiros, PJ conta um pouco de sua experiência como presidente de júri, situação que já viveu por três vezes no Cannes Lions. Participam também: Dedé Eyer (diretor executivo de criação da NBS), Karen Cesar (CEO e fundadora da RedBandana Branding & Design), Fred Siqueira (vice-presidente de criação da Ampfy), Marcelo Lenhard (CEO da Hands) e Suzana Apelbaum (Head of Creative do Google NY), além de Bernardo Romero.


Na primeira matéria da série “Histórias peculiares”, foram ouvidos Adriano Matos (CCO da Grey Brasil), André Kassu (sócio e CCO da Crispin Porter + Bogusky Brasil), Átila Francucci (vice-presidente de criação da Nova/SB), Cristiano Pinheiro (sócio e produtor da Punch Audio) e Serginho Rezende (diretor musical da Comando S) - confira aqui os depoimentos. Na segunda, Bia Granja (fundadora e CCO da YouPIX), Felipe Simi (fundador e head of creative data da Soko), Monique Lopes (diretora de projetos especiais da Africa), Paulo Ilha (vice-presidente de mídia da DPZ&T) e Vania Ciorlia (vice-presidente executiva da Ketchum) compartilharam suas experiências - leia aqui. A terceira rodada contou com Daniela Busoli (CEO e fundadora da Formata), Laura Florence (diretora executiva de criação da Havas Health & You), Lucas Duque (fundador e diretor de criação da Sonido), Marcelo Tripoli (vice-presidente digital da McKinsey) e Rafael Donato (vice-presidente de criação da David). Veja aqui as histórias desses jurados. E cheque a lista completa dos jurados - que foram todos procurados pelo Clubeonline para esta série.


PJ Pereira - Social & Influencer

“Esta é minha quinta vez em um júri de Cannes. A terceira como presidente.

Fui jurado em Cyber pelo Brasil, depois fui presidente de Cyber - o convite veio quando eu ainda estava no Brasil, mas quando presidi o júri já estava nos Estados Unidos. Em 2017 fui presidente de Entertainment; em 2018, jurado de Titanium; e este ano sou presidente de Social & Influencer.

Minha história peculiar de Cannes foi quando presidi Cyber. O júri quase deu o GP para uma série de vídeos, que era a ideia favorita dos jurados. Mas o time preferiu dar para um website que era mais 'interativo', por considerar que vídeo não era coisa para Cyber. Seis meses depois o YouTube nasceu.
Minha expectativa para este ano tem a ver com essa história. Contei para o júri e pedi que eles deixassem de lado o que acreditam que a categoria deva ser. Em categorias novas, os jurados não estão lá para ensinar o mundo o que ela é, mas sim para aprender, em nome do mercado inteiro, sobre o que ela está se tornando.”

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Bernardo Romero - Health & Wellness

É minha primeira vez como jurado em Cannes. Eu estava em uma reunião de status quando recebi o e-mail com o convite. Dei um grito e saí pulando. Obviamente, ninguém entendeu nada. Como não podia falar nada pra ninguém ainda, inventei que tinha ganhado o kit de vinhos espanhóis na rifa da escola do meu filho.

Uma história peculiar? O ano era 2009, meu primeiro em Cannes. Dividia um apê incrível com grandes amigos. Aquele deslumbramento de um debutante. Acordo meus amigos todos com um grito ensurdecedor de 'é shortlist, porraaaaa!'. Eles saíram correndo pra entender o que estava acontecendo enquanto eu navegava no site de Cannes chegando à conclusão de que todas as peças que havia inscrito naquele ano, pra minha surpresa e espanto, estavam no shortlist.

Naturalmente, a pedidos comecei a checar as peças de cada um e todas estavam no shortlist. Foi uma comoção em massa, um Carnaval em junho. Caramba, que sensação incrível! Eu já estava participando daquilo ali de um jeito muito especial, com todos os amigos na disputa. Um deles acordou o redator do spot que ele havia produzido no Brasil pra contar a notícia, ligou até pra mãe…até que 45” depois, aviso pra todos que havia me enganado. Eu estava na verdade vendo a longlist. E vida que segue. Mas o gostinho de ser shortlist em 2009 ninguém nos tirou.

Minha expectativa para esse Cannes Lions é ver as grandes tendências desse setor realmente tomarem vida à serviço da ideia. Desde o uso de dados de saúde que estamos coletando diariamente até novas maneiras de diagnosticar e previnir.

[As confusões com shortlist parecem ser mais comuns do que se imagina, como se viu com o jurado Lucas Duque - veja aqui]

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Dedé Eyer - Health & Wellness

“Eu já estive no Festival de Cannes algumas vezes e com experiências diferentes em quase todas elas. Já fiquei em Les Cannet achando que estava em Cannes, já alugamos uma casa e fizemos uma baita festa brasileira, já ganhei Leão sem estar esperando e já tive peças super favoritas que não pegaram nem shortlist. Mas talvez a minha primeira vez tenha sido a mais marcante. Devia ser por volta dos anos 2000, o festival tinha apensas duas categorias (Press & Poster e Film) e participar, no meu caso, era ser delegado, já que não existia nenhuma categoria adequada pro tipo de trabalho que eu realizava na época: anúncios de concessionarias de automóveis com tabela de usados.

Foi incrível. Foi como participar de um episódio de MadMan antes mesmo de existirem episódios de MadMan. O Festival traduzia a criatividade em glamour, charme e inteligência. Uma semana onde o mundo inteiro parava pra valorizar e aclamar o que de melhor tinha sido feita na publicidade. Era impossível estar ali e não querer viver mais daquilo ali. Totalmente seduzido, programei na minha agenda a foto histórica com o Palais e a marca do Festival pro último dia, domingo. Pra minha supresa a fachada do Palais já estava mudada. No mesmíssimo lugar havia outro banner, maior e com mais cores (na época isso fazia diferença) de um congresso de dentistas. Uma semana com os dentistas no centro do mundo. Meu deslumbramento continuou, mas o pé voltou a tocar no chão.

Esta será a primeira vez que sou parte do júri em Cannes. A experiência até agora tem sido super interessante. No pré-julgamento, avaliei cases de automóveis, óculos, vestuário, gadgets, apps, bebidas e uma série de outras coisas, o que demonstra como H&W é provavelmente o principal driver de inovação de produtos pra qualquer indústria. Vale prestar atenção.”

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Fred Siqueira - Digital Craft

“Vou ao Festival pelo menos uma vez a cada dois anos, desde 2005. Sempre me surpreendo. Em 2006, subi ao palco para receber um Leão das mãos da lenda - e então presidente do júri de Cyber - Bob Greenberg. O Ouro foi para um trabalho incrível chamado ‘Tattoo’ do querido Ricardo Figueira e seu time da Click de Brasília. Se não me falha a memória, naquele ano ganhamos três Leões: Ouro, Prata e Bronze.

Existem trabalhos incontestáveis, que já chegam em Cannes com uma enorme estrela na testa, bastante conhecidos e celebrados por toda a indústria. É o caso de ‘The truth is worth it’ da Droga5 para o NY Times, para citar apenas um entre vários que certamente irão marcar a edição deste ano. Mas o bacana de Cannes são as surpresas. Estou ansioso para conhecer as obras primas que ainda não vi.”

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Karen Cesar - Design

“Cannes faz parte da minha história profissional e pessoal. O ano de 2009, quando me associei à Abedesign – Associação Brasileira de Empresas de Design, era o segundo ano que a categoria participava do Festival. Fomos a primeira delegação do Brasil com apoio da Apex a ter um estande dentro do Palais. Para nós, foi uma grande celebração do design brasileiro: eu estava com os grandes nomes do design. Brincamos que ganhamos um Leão por dia naquele ano. Afinal, foram 7 Leões de Design para o Brasil.

Naquela edição, eu havia levado as nossas RedBandanas, literalmente bandanas vermelhas, para distribuir para a delegação brasileira. Ao assistir a palestra do Spike Lee, fiquei tão emocionada que, ao final, subi no palco e entreguei uma bandana para ele. Alguém fotografou e a ideia pegou. Até o Eric Schmidt, do Google, saiu com a RedBandana nas mãos. Foi uma delícia e rendeu algumas matérias na mídia especializada.

Na edição de 2011, quase não consegui assistir às palestras de tanto sono. Estranhei porque sempre dormi só horas por noite. Corri para a farmácia e descobri lá mesmo que estava grávida do meu tão sonhado filho.

A notícia de ser jurada foi um presente, um reconhecimento de uma vida de dedicação ao design. Minha agência, a RedBandana, é independente, nasceu no meu quarto há 22 anos, não tenho sócios, sou professora de design desde os 21 anos, mulher, mãe, parte da diretoria da Abedesign, facilitadora Lego Serious Play, agora aplicando para doutorado em neurociências e psicologia positiva para aplicar no design para melhorar a qualidade de vida das pessoas no ambiente de trabalho. Tudo isso em um país com altos e baixos na economia... e sabendo que no Brasil muitos clientes ainda acham que tamanho é sinal de qualidade.

Na categoria Design, a barra está bem alta! Projetos de alta qualidade e que são exemplos da transversalidade do design. Para mim o que saltou os olhos foi o uso da tecnologia e de inteligência artificial para enriquecer as experiências de marca. Mostra que o casamento de bom pensamento estratégico, conhecimento do consumidor e seus anseios, propósito de marca e tecnologia e a riqueza de detalhes na execução compõe um projeto de excelência.”

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Marcelo Lenhard - Brand Experience & Activation

“Este é o meu nono Festival. Confesso que, quando comecei a ir, não imaginava que um dia pudesse estar lá como jurado. É uma honra para qualquer profissional, ainda mais se tratando de um líder de uma agência independente no Brasil em uma categoria que vem crescendo a cada ano.

Além disso, acredito que o mais importante seja aproveitar cada minuto de uma jornada de grandes aprendizados. Tenho certeza que vai contribuir muito para minha trajetória daqui para frente.”

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Suzana Apelbaum - Mobile

“Esta é minha segunda vez como jurada em Cannes. Em 2008, fui jurada de Cyber e agora sou de Mobile.

Uma das experiências mais bacanas que vivi em Cannes foi a de lá subir num palco diferente: um tabladinho bambo de madeira de 2mx2m, onde fiz uma performance de sapateado, a convite da InOut Exhibiton, da ApArt e Domo. A performance era parte de um evento que convidava publicitários que tem uma carreira artística na paralela a exporem seus trabalhos, revelando algo íntimo por meio de suas obras.

Minha performance aconteceu num terraço de onde dava pra ver o Palais - e ali eu refleti sobre a grandiosidade daquele palquinho pra mim, comparável ou talvez superior a do palco do Palais.

Mais que tudo foi um momento especial onde tive a alegria de conectar minha arte com meu trabalho, duas paixões que nem sempre andam juntas. E de lembrar que o maior prêmio que o Festival me dá é a oportunidade de reencontrar com tantos amigos queridos de uma só vez.

Também posso considerar peculiar minha primeira vez indo pra Cannes sem ter nenhuma peça concorrendo. Aconteceu quando eu entrei no Google e o meu time tinha um foco diferente. Estar em Cannes sem ter peça concorrendo é uma sensação muito esquisita. É tipo ouvir a sua Portela passar, estando do lado de fora do Sambódromo. Tudo acontecendo lá dentro e você só sentindo de longe o eco diluído daquela batucada e energia fenomenal.

Minha expectativa para este ano é de ver mais ideias simples (e brilhantes) sendo celebradas, especialmente na categoria Mobile. Com tantas novas tecnologias e possibilidades criativas surgindo, imagino que os júris vão procurar não perder o foco do que mais importa, que é a qualidade da ideia e o impacto que ela teve efetivamente no público desejado e além.

E, a julgar pelo que já vi de trabalho brasileiro em Mobile, espero ver o Brasil ganhando mais Leões este ano do que em 2018 nesta categoria.”

Leia todas sobre Cannes aqui.

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