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Cannes Lions 2022

Malala: a sociedade não pode cortar as asas das garotas

23.06.22

Malala Yousafzai foi aplaudida de pé na entrada e saída de seu seminário “Malala Yousafzai - Activist Generation - Partnering for Change with Gen Z” no Cannes Lions - o festival também concedeu-lhe o prêmio LionsHeart. A premiação é dada para pessoas que usam a sua posição para fomentar grandes mudanças na sociedade.

É o que ela tem feito há tantos anos - aos 11, começou a escrever em um blog sobre a impossibilidade de frequentar a escola no regime Talebã - em 2012, sofreu um atentado que chocou um mundo, ao ser baleada na cabeça quando voltava da escola.

Aos 24 anos, tem um Prêmio Nobel da Paz conquistado em 2014, como fruto e sua luta para que todas as meninas tenham liberdade de acesso à educação de qualidade. Como lembrou a moderadora Nadja Bellan-White, CMO da Vice Media Group, a ativista paquistanesa fundou a Malala Found em 2013, para assegurar que todas as meninas tenham liberdade de acesso à educação, fundou a publicação digital Assembly, uma newsletter, e também a produtora Extracurricular, sempre com foco em jovens garotas.

Ou seja: é por meninas como a Malala de 2012 que ela dedica sua vida, por isso sua visão especial para a geração Z. “Os jovens de hoje são naturalmente ativistas e estão assumindo a liderança nas discussões sobre problemas e assuntos diversos e importantes. Eles buscam justiça para todos, e odeiam o que é injusto, discriminação pela pele, gênero. Temos que cuidar para que consigam tornar seus sonhos realidade. Quando a educação de meninas foi banida, e eu tinha 11 anos, e percebi que aquilo estava se tornando verdade e o quanto a vida era difícil para as mulheres. Meu irmão com uniforme indo pra escola, e eu não podia. É a história de muitas garotas hoje. Percebi que tinha que mudar algo, e alguém tinha que falar, pois se esperarmos, ficará assim para sempre. Ninguém vai falar por nós, temos que ser oss ativistas que falam”, afirmou Malala, no painel.

Temos de construir uma sociedade que não corte as asas das garotas”, completou a ativista. Com essa frase, ela quer mostrar a importância de as meninas serem conduzidas ao centro das conversas importantes do mundo. Desigualdade salarial, pobreza, mudanças climáticas precisam de soluções criativas que, muitas vezes, só podem ser compreendidas e aplicadas por mulheres. “Temos de encontrar maneiras criativas para a educação estar acessível a todas elas”, conclamou Malala.

Questionada sobre a força do “nós”, ela explica como imagina que as mudanças podem acontecer. “É preciso que alguns indivíduos comecem os movimentos, dando os primeiros passos para que outras possam se unir e ir atrás. Esse é um pouco o meu papel. Nunca se pode mudar atuando por si só. É preciso o suporte de muita gente, para que se possa mudar coletivamente", concluiu.

A cobertura do Cannes Lions 2022 pelo Clubeonline tem o patrocínio de Asteroide, Canja Audio Culture, Côrtes e Companhia, Fantástica, Google Brasil, MugShot Produtora de Som, Publicis Brasil, Wunderman Thompson e Smiles.

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