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Festival do Clube 2019

Uma história de perseverança com Mauricio de Sousa

27.09.19

O cartunista Mauricio de Sousa é um grande expoente da nossa cultura e tem papel fundamental também na educação de crianças de diversas gerações. Sim, já parou para pensar quantos brasileirinhos ele ajudou a alfabetizar com suas histórias em quadrinhos?

Em um papo que não deveria ter hora para acabar com Sônia Luyten, pesquisadora de histórias em quadrinhos e cultura pop japonesa e também amiga de longa data de Mauricio, ele falou para uma audiência formada majoritariamente por jovens e abrilhantou a última noite desta edição do Festival do Clube para contar sobre sua trajetória no painel “60 anos de estrada”.

O menino que veio de uma família de contadores de histórias e filho de pais poetas, teve não só inspiração e incentivo para desenhar dentro de casa, como também aprendeu habilidades muito úteis na vida de alguém que trabalha com criação: persistência.

Mais do que talento, ele demonstrou perseverança ao aceitar um emprego como revisor e depois como repórter policial, na Folha de S.Paulo, quando na verdade havia ido ao jornal para pedir uma vaga de cartunista. Mal sabia que o novo ofício funcionaria como uma escola para os textos que estavam por vir. “A primeira coisa que aprendi foi enxugar as palavras. E eu que vinha com referências de Machado de Assis e Eça de Queiroz, tive que simplificar e fazer minhas narrativas ocuparem espaços pequenos, assim como nos balões de palavras dos personagens em quadrinhos”, contou.

Depois de atuar como repórter, foi a vez de realizar o sonho de viver dos seus desenhos. De tirinha em tirinha e visitas às redações com o seu material, ele demonstrou ter tino para o negócio e chegou a comercializar as seus desenhos em cerca de 400 jornais de todo o Brasil. Foi dessa época que surgiram alguns personagens que conhecemos hoje, como Jeremias e Xaveco, que logo se juntaram à Mônica, Magali e os demais personagens da Turma da Mônica.

Hoje, com milhares de produtos lançados no Brasil e mundo, Mauricio de Sousa nem pensa em parar. Seu estúdio se revitalizou ao longo desses 60 anos, agregando novos cartunistas, roteiristas e afins, permitindo que as histórias dos gibis chegassem ao público em forma de licenciamentos, parques, atrações, espetáculos, livros, revistas filmes e séries para TV e serviços de streaming, como Prime Video, Netflix e HBO.

A educação continua fazendo parte de suas histórias, tanto que um de seus próximos projetos está relacionado justamente ao tema. Trata-se de uma cartilha que explica como crianças estrangeiras devem se preparar para estudar em escolas japonesas. O Japão gostou tanto da ideia, que já distribui as cartilhas em diversos consulados mundo afora, e em breve o material será traduzido para 17 línguas. A ligação com aquele país vem de longa data, e foi lá que conheceu Sônia Luyten, na década de 1980, período em que ela morava no Japão para se aprofundar em seus estudos sobre mangás e cultura japonesa. "É muito bonito e necessário ver esse movimento, minhas filhas passaram a infância no Japão, e foi por meio dos quadrinhos do Mauricio que elas aprenderam a língua portuguesa", destacou Sônia.

Entre outros projetos de Mauricio, estão lançamentos de mais filmes e novas incursões internacionais com suas revistas e desenhos animados.

Beatriz Lorente

Leia mais sobre Mauricio de Sousa em nota anterior, aqui.

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Uma história de perseverança com Mauricio de Sousa

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