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Festival do Clube 2019

HOJE!! Raimundo Rodriguez, o artista que odeia o desperdício

21.09.19

Sábado, 21, das 17h20 às 18h25, na sala GLOBO

De Santa Quitéria, sertão do Ceará, cidade onde nasceu, o artista plástico Raimundo Rodriguez capta a inspiração para seu trabalho, que cria novas dimensões para os materiais descartados pela sociedade, sem desperdícios, e utilizados em meio a uma variedade caótica de objetos errantes. Ele é um dos convidados da edição 2019 do Festival do Clube de Criação, no painel “O Multiverso Imaginário de Raimundo Rodriguez”.

O país mudou muito. Tem uma tensão complicada e as pessoas não se entendem. Quero ter uma participação silenciosa em meio a isso, através do meu trabalho e ponto de vista. Mas eu posso falar para as pessoas, especialmente para aquelas que querem ouvir, como imagino que será no Festival”, afirma. Ele diz preferir falar a grupos menores e que está ansioso para encarar uma plateia maior. “Não tem outro jeito”, frisa.

Com a sagacidade sertaneja, ele extrai e recontextualiza os restos e as sobras do mundo que repousam no cenário urbano. “Eu odeio o lixo. Não pense que gosto dele. Odeio o desperdício. Por isso busco transformar o que não está bom. Gosto da energia que se coloca nos objetos, os sentimentos que as pessoas nutrem por eles. Muitos morrem e outros que não têm esse mesmo sentimento se livram das coisas. É onde eu entro e tento resgatar essa alma”, explica.

Fundador do Grupo Imaginário Periférico e criador da Casa Arte Contemporânea, Rodriguez diz que sempre gostou de publicidade. “Pelo poder que ela tem, desde que feita com ética. Se o dinheiro fica acima da ética, e isso em qualquer setor da vida, não vai dar certo. Eu mesmo, jamais falaria de um produto ou causa em que não acreditasse. Já deixei de fazer milhões de trabalhos e poderia estar mais confortável financeiramente”, reconhece.

Rodriguez comenta também a questão do consumo consciente. “Não precisamos consumir tanto, comer tanto, beber todas as bebidas, vestir todas as roupas, ver todos os filmes. E sim ter aquelas coisas que nos fazem únicos", diz. Segundo ele, há muita falta de autoconhecimento e personalidade nas pessoas. "Não que sejam únicas, porque as pessoas vão se transformando, crescendo, aprendendo. Mas não podemos ser meros consumidores de tudo que se produz. Isso é insustentável.

Uma das características que aprecia na publicidade é quando ela consegue transmitir emoções. “Tenho meu trabalho e uma memória atemporal, com sentimentos sertanejos, que vivi muito no Ceará. O sertão me emociona. A publicidade tem de sentir isso. Ser emotiva para vender ideias ou produtos e transformar o mundo. E ela transforma, para o bem e para o mal”, avalia. “E tentar ser original, embora seja difícil. A originalidade é uma coisa utópica.

Segundo ele, o que criamos é fruto do conhecimento do que vivemos. “A originalidade acaba sendo um ponto de vista muito individual. Não tem como ser absolutamente original, mas podemos trazer pontos de vistas novos, tentar ver o que ninguém viu ainda, com outro olhar. Mas, pra isso, é preciso viver, viajar e estar no lugar do outro, viver outras realidades. Não se consegue isso na internet”, prega.

Algumas obras de Raimundo Rodriguez são frutos de sua parceria com o diretor Luiz Fernando Carvalho, com o qual fez trabalhos para as minisséries “Hoje é dia de Maria”, “A Pedra do Reino”, “Capitu” e “Alexandre e Outros Heróis”, além das novelas “Meu Pedacinho de Chão" e "Velho Chico”.

A relação, diz Rodriguez, é quase espiritual. “Ele é difícil e eu não sou fácil. E nos tornamos parecidos”. Na parte prática da relação, Carvalho oferece textos que, a princípio, Rodriguez tem dificuldade de ler, por ter pouca concentração. “Trabalho 12 horas ao dia e fico cansado, exausto. Monto grupo de leitura com meus assistentes e lemos para compreender o universo. Então, materializo as imagens que penso em objetos, fazendo a cenografia e produção de arte. Monto meu ateliê em todos os lugares, da Paraíba ao Projac, e levo caminhões de livros que são referências para construir minhas coisas. Tudo que me ajuda a criar algo original”, conta.

Quem quiser entrar no universo de Raimundo Rodriguez, terá a oportunidade no primeiro dia do Festival, que ocorre entre 21 e 23 de setembro. “Meu pensamento é como uma molécula de DNA, em espiral, que vai, volta, retorna. É algo muito sertanejo, que insere uma pessoa ou assunto no contexto, sem avisar. É como contar a história de uma pessoa e não dizer quem é porque daqui a pouco você vai saber. É bem do sertanejo isso”, explica.

 

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Veja a programação completa do Festival do Clube de Criação 2019.

SERVIÇO
Festival do Clube de Criação
Quando: Setembro, 21, 22 e 23 - 2019 - sábado, domingo e segunda-feira
Local: Cinemateca Brasileira - São Paulo – Brasil
Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino
Ingressos à venda (aqui). Garanta já o seu.
Hosted by: Clube de Criação
55 11 3034-3021
Facebook Clube de Criação
Twitter - @CCSPOficial
Instagram - @ClubedeCriacao
Teremos serviço de shuttle para quem quiser estacionar no Hotel Pullman Ibirapuera
Horário: das 08h30 às 22h30
Trajeto: Pullman / Cinemateca / Pullman
Abertura dos portões e do credenciamento: sábado, domingo e segunda às 9h

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