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Make-a-thon

Diário de bordo – Último Dia

07.05.15

Era quinta-feira véspera de feriado e, claro, levei mais de uma hora para chegar. Como me planejei mal, cheguei com a palestra do dia já pela metade – uma pena, porque logo que sentei vi que tinha perdido muita coisa boa. Quem falava, depois descobri, era o Nagib Nassif Filho, sócio do Estúdio Bolha, focado em tecnologia criativa (em resumo: é da “oficina” dele que saem, prontos, os briefings que envolvem traquitanas tecnológicas para ganhar forma).

Ele deu um bom panorama sobre tecnologias – mais ou menos acessíveis – em voga no mercado, da já onipresente impressão 3D aos ainda um tanto desconhecidos beacons. Nassif também contou um pouco sobre os projetos do estúdio, como uma vending machine para Coca-Cola que permitia customização de mini-garrafas; e um copo para a Budweiser que tuitava. Uma das principais dicas dele foi: no processo de colocar a ideia em pé, quanto mais tempo se dedica à pesquisa, à busca de tecnologia e prototipagem, mais se economiza na hora de produzir o produto final em larga escala.

Ainda sob efeito dos insights do Nassif, tivemos uma hora para colocar os nossos projetos de pé. O “Coparty” precisava ter um protótipo bacana, funcional e que sustentasse a apresentação que rolaria mais tarde. E aqui preciso fazer um aparte: não fosse a união de esforços do meu grupo para deixar parte disso pronto ao longo da quinta-feira, 30, não teria dado muito certo. Junto da Alessandra Vieira (gda.2), do Daniel Groove (Y&R), do Danilo Bianchi (Neogama/BBH) e do Henrique Rojas (R/GA), preparamos algumas surpresas e deixamos a apresentação em si pronta, bem como o layout do app (imagem abaixo). De volta ao Make-a-thon: nosso protótipo evoluiu superbem. Conseguimos montar um sistema com leds que indicaria as medidas de cada drinque e seria controlado via computador.

Mas aí foi a vez de parar para mais um papo inspirador. O Philippe Bertrand, criador do Carambolab hackerspace, contou um pouco sobre seus diversos projetos inspirados pela cultura hacker. O mais interessante, de longe, foi “A máquina de ser o outro” (saiba mais aqui), que ele criou como parte do coletivo BeAnotherLab. O projeto, que usa realidade virtual para simular a experiência de habitar outro corpo, fez enorme sucesso dentro e fora do mundo digital – tanto que o projeto levou Bertrand e seu coletivo a serem convidados a participar de um projeto de resolução de conflitos da Organização das Nações Unidas.

Em seguida, tivemos mais meia hora para colocar nosso projeto de pé. Como a foto abaixo mostra, o “Copartydo dia da apresentação ficou BEM melhor que o do primeiro protótipo. Apresentamos nosso projeto, ouvimos feedback de uma banca formada por Gravena, Cavalletti e Piva e mais alguns convidados: Nassif (do estúdio Bolha), Bertrand (BeAnotherLab/Carambolab Hackerspace), Ícaro Abreu (Bolha), Theo Siqueira (theoxx), Pablo Marques (R/GA), Marc Shwarzberg (Coppola Project), Rafael Gaino (W+K) e Lucas Lopes (Friends Audio).

Para encurtar a história, nosso projeto foi bem recebido – mas pecou por não ter um benefício social (tinha mais um benefício sociável, digamos assim) e deixar escondido o fato de que as receitas dos drinques haviam sido escolhidas nos melhores bares do mundo ou preparadas pelos melhores profissionais da área. Mas, de resto, o protótipo funcionou e nosso mise en scène (com direito a garçom improvisado e Aperol Spritz preparado na hora) agradou a banca.

Os demais projetos foram muito bacanas: teve copo que ajudava alcoólatras a não recaírem; clientes de bares a não serem vítimas do golpe boa-noite Cinderela; e um copo-termômetro que tira temperatura da criança enquanto a entretém. Ao final, Cavalletti, Piva e Gravena anunciaram a criação de um fundo de investimento para projetos de inovação que receberá investimento privado e contará com os valores arrecadados com os Make-a-thons (este e os próximos). A ideia é ajudar a viabilizar projetos de cunho social e inovador que melhorem o nosso país.

A primeira iniciativa apoiada será o projeto Quimioterapia Digital, que tem por objetivo apoiar pacientes em tratamento para cura de câncer via redes sociais. A iniciativa nasceu a partir do processo de cura de Lucas Lopes (que esteve conosco na quinta-feira contando sua trajetória), e foi idealizada por Antero Neto, Gabriel Pinheiro, Daniel Bottas e Philippe Bertrand, para apoiar Lopes em seu processo.

Foi com o relato emocionante de Lopes sobre a cura do câncer que teve, já adentrando na madrugada de 1º de maio (algo curioso, em se tratando de um curso com o objetivo de fazer todo mundo trabalhar para tirar ideias do papel), que o primeiro Make-a-thon chegou ao fim. Mas, para os 20 participantes, as lições aprendidas ali não terminaram no último dia de oficina. Viramos todos fazedores, espero, para além daquele espaço onde nos reunimos ao longo daqueles quatro dias.

Leia texto anterior sobre esta experiência, aqui.

Eduardo Duarte Zanelato realizou, a convite dos organizadores, o curso Make-a-thon, que aconteceu na Casa Galpão, na Vila Mariana, São Paulo

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